Estado da arte nas pesquisas




Os primeiros pesquisadores da AIDS a tentar desenvolver uma vacina contra o HIV, no final dos anos ‘80, achavam que deveriam encontrar uma forma de gerar uma resposta de anticorpos – que é como funciona a maioria das vacinas. A abordagem escolhida foi a seguinte: eles recriaram em laboratório uma parte do HIV chamada proteína do envelope do vírus e a usaram como antígeno em sua candidata a vacina, combinando-a com um adjuvante, na esperança de que a vacina estimulasse a produção de anticorpos neutralizantes contra o HIV. Em seguida, avaliaram a segurança da candidata a vacina e sua capacidade de provocar uma resposta imune em estudos com animais, para somente então testá-la em voluntários numa série de ensaios clínicos cuidadosamente monitorados.

Antígenos purificados têm sido usados para fabricar vacinas contra a hepatite B e o papilomavírus humano, e essa abordagem é cada vez mais comum na vacinologia moderna. Porém, como o HIV sofre constantes mutações e sua proteína de sua parte externa se esconde do sistema imune, criar os antígenos virais apropriados em laboratório para usar numa vacina revelou-se extremamente difícil. No final dos anos ’90, ficou claro que essa abordagem – pelo menos tal como concebida inicialmente – não funcionaria com o HIV.

Os pesquisadores de vacinas contra a AIDS resolveram então concentrar-se no outro braço da resposta imune adaptativa: a imunidade celular (IC). A resposta da IC envia células T para destruir as células do organismo que já foram infectadas por vírus. As células T também liberam substâncias que inibem a replicação e propagação do HIV no organismo.

Não estava claro na época se as vacinas projetadas para estimular essa resposta impediriam a infecção pelo HIV ou se apenas eliminariam infecções já existentes. Mas os pesquisadores, animados com os resultados dos estudos em animais, prosseguiram com a estratégia. Hoje existem cerca de 30 candidatas a vacina contra a AIDS em estudo e quase todas funcionam provocando uma resposta de IC. No entanto, o desempenho dessas vacinas até agora foi decepcionante. O caso mais marcante foi em 2007, quando uma candidata considerada por muitos pesquisadores na época como sendo a mais promissora não se mostrou eficaz.

A falha dessa vacina reforçou uma idéia que se tornou consenso nos últimos anos, ou seja, que o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a AIDS requer um novo foco nos detalhes moleculares da infecção pelo HIV e na resposta do sistema imune. Além disso, muitos cientistas, inclusive da IAVI, chegaram à conclusão de que uma candidata a vacina somente fornecerá uma proteção efetiva contra o HIV se for capaz de provocar respostas imunes tanto de IC quanto de anticorpos.

Para enfrentar esse desafio, recentemente muitas organizações que se dedicam ao desenvolvimento de vacinas contra a AIDS renovaram o foco nas pesquisas em colaboração visando a criar uma nova geração de candidatas a vacina. Por exemplo, o Instituto Nacional Americano de Alergia e Doenças Infecciosas lançou seu Centro de Imunologia para Vacinas de HIV/AIDS em 2005; a Fundação Bill & Melinda Gates introduziu em 2006 a Colaboração para a Descoberta de Vacinas contra a AIDS e fornece apoio ao Global HIV Vaccine Enterprise. A IAVI também tem estado à frente desse movimento. Nós lançamos três consórcios internacionais para descoberta de vacinas a fim de enfrentar alguns dos desafios científicos mais urgentes para os desenvolvedores de vacinas, criamos novos laboratórios e promovemos a conexão entre os estudos de HIV realizados por pesquisadores de países em desenvolvimento e os esforços mundiais para desenvolver uma vacina.

Select Language:
English | Portuguese